Metástase em bexiga por câncer de mama: relato de caso

FA Pontes, F Bagnoli, JF Rinaldi, MALG Silva, VM Oliveira

Resumen


INTRODUÇÃO: Os sítios mais comuns de metástases do câncer de mama por ordem decrescente de frequência são: osso, pleura, pulmão, fígado e sistema nervoso central. Outros órgão podem ser acometidos, porém as incidências são menores. Local raro de progressão do câncer de mama é para a bexiga.
MÉTODOS: Relato de caso de paciente atendida na Clínica de Mastologia do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo que após tratamento cirúrgico, quimioterápico, radioterápico e hormonioterapia evoluiu com metástase para bexiga.
RESULTADOS: DFM, 60 anos em Setembro de 2004 foi diagnosticada com Carcinoma Ductal Invasivo (CDI) GHII em mama direita estádio T3N2M0 (EC IIIB) com receptores estrogênio positivo e progesterona positivo. Foi submetida a 3 ciclos de Quimioterapia neoadjuvante ( FEC). Em janeiro de 2005 foi submetida a mastectomia direita com linfadenectomia axilar cujo anátomo patológico mostrou CDI grau 3/III com áreas de CDis medindo 8x5cm presença de invasão angiolinfática e perineural, metástase em 11/18 linfonodos. pT3 pN3a pMx. Imunohistoqiimica: RE +, RP+. Foi submetida a 3 ciclos de QT adjuvante (FEC) e a 30 sessões de radioterapia. Iniciou hormonioterapia com tamoxifeno e durante seguimento não apresentou evidência de doença sistêmica. Em abril de 2012 foi internada por um quadro de dispnéia e desconforto respiratório, quando também foi diagnosticada uma insuficiência reanal aguda. Realizou TC de abdome em 25/04/12 que evidenciou: espessamento parietal do ureter direito e segmentar do ureter esquerdo, associado à hidronefrose bilateral (maior a direita) de provável natureza neoplásica primária. Lesão do ureter direito contígua a espessamento nas paredes da bexiga e pelve renal direita. Espessamento nodular das fáscias pré- sacral e mesorretal de provável natureza neoplásica secundária. Linfonodomegalias abdominais e pélvicas. Em 31/7/12 foi submetida a cistoscopia + RTU de bexiga cujo anátomo patológioco mostrou: carcinoma pouco diferenciado, padrão morfológico sólido de células grandes infiltrativo em tecido fibromuscular (parede vesical). Imunohistoquímica revelou: AE1 / AE3: positivo; CK 7 : positivo focal; CK20: negativo; P63: negativo; Receptor de estrogênio: positivo focal; Receptor de progesterona: negativo; Breast: positivo raras células; Cerb 2: negativo; WT1: negativo Diagnóstico: o conjunto de achados favorece o diagnóstico de infiltração de carcinoma pouco diferenciado sugestivo de sítio primário de mama.
CONCLUSÕES: Metástase para bexiga por câncer de mama não é frequente, porém toda paciente com achado de lesão cuja origem primária não se sabe, por mais raro que seja merece avaliação para diagnóstico diferencial entre sítio primário ou lesão secundária.